Saúde

Saiba como driblar a seletividade alimentar nas crianças autistas

Especialistas sugerem acompanhamento nutricional e planejamento de rotina

A nutricionista Paula Acevedo sugere acompanhamento individualizadoA nutricionista Paula Acevedo sugere acompanhamento individualizado - Foto: Divulgação

Implantar uma rotina alimentar saudável para as crianças não é tarefa fácil. Menos ainda quando os pequenos possuem o Transtorno do Espectro do Autista (TEA), que pode despertar comportamentos restritivos e seletivos em relação à textura, sabor, cheiro e aparência da comida. Montar um cardápio que desperte o interesse e supra as carências nutricionais é parte do desafio enfrentado pelos pais nessa fase de vida dos filhos. 

A orientação, segundo o psicopedagogo Victor Eustáquio, da Clínica Somar, é que seja mantida uma rotina fiel aos horários de refeições, evitando lanches fora de hora e realizando as refeições em família para que a criança observe e repita os movimentos. Isso, sem falar na prática de colocar perto dela alimentos variados, a fim de criar o estímulo a se servir. “Se a criança aceitar, os pais devem colocar alimentos diferentes no prato, mesmo que ela não coma, para que se familiarize com cores, cheiros e texturas”, explica.  

 



Mas, tudo isso, é individual. “Ca­da criança é um mundo”, resume a nutricionista Paula Acevedo, também da clínica Somar. Na prática, ela explica que, enquanto alguns sentem fome de apenas um tipo de comida, geralmente aquela rica em carboidrato, outros se alimentam de maneira compulsiva, sem o menor indício de saciedade. “Também há situações com limitações motoras que impedem de a alimentação acontecer de forma espontânea, inclusive na adolescência”, completa.

Embora seja difícil padronizar as situações, a especialista lembra que é comum casos de intolerância, como alergia ao glúten e à lactose. A questão do peso também é relativa, variando entre o ideal e o sobrepeso. Quando se identifica essas particularidade, fica mais fácil implantar uma alimentação saudável de acordo com as possibilidades da família. “Já tenho pacientes com resultados positivos, incluindo melhorias de concentração, independência e sono”, destaca Paula, que há dois anos se dedica a cuidar desse público.

Entre os pacientes está a pequena Mel, de dez anos. Segundo a mãe, a pedagoga Marcelle de Castro, antes do acompanhamento nutricional, a menina apresentava irritação frequente e desinteresse por comida.  “Posso dizer que está mais tranquila e independente. Tiramos refrigerante e produtos com glúten. Ela até desinchou e controlou as taxas sanguíneas”, diz. A evolução, no entanto, varia de caso. Há quem leve meses para apresentar melhorias, como o foco nos estudos.

Ainda sobre a dieta que restringe glúten e caseína, pesquisas indicam que entre 65% e 86% das famílias que seguiram tal recomendação relataram melhorias dos sintomas autísticos. Isso inclui amenizar problemas gastro-intestinais, que são dores na barriga devido a gases, diarreia e constipação.

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