Tomate é unanimidade na cozinha

Versátil, o tomate é ingrediente que cai bem em receitas simples ou elaboradas. Conheça todas as suas possibilidades, desde a escolha na feira até o verdadeiro deleite culinário

Penne ao molho de tomatePenne ao molho de tomate - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

A palavra que melhor define o tomate é versatilidade. Apesar de abrilhantar clássicos da culinária italiana, esse fruto nativo da América Central - de onde se espalhou para outros continentes - serve de base para receitas dos quatro cantos do mundo. Na prática, certamente, você já se deparou utilizando algum molho à base da polpa levemente ácida, fazendo cortes fininhos para montar a salada ou mesmo incrementando algum petisco para servir de entrada.

É pedida para todas as mesas, que começa já na escolha do produto na feira. Local de tantos altos e baixos para o bolso dos donos de casa. Para se ter uma ideia, hoje, no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (CEASA-PE), é possível comprar o quilo por R$ 2,40. “Preço bem mais em conta em relação a 2017, quando o tomate chegou a custar para o fornecedor R$ 4,16/kg e para o consumidor final R$ 8/kg”, destaca a nutricionista Danuza Firmo, além de orientar o consumidor a ficar de olho nos meses de melhor safra, que são janeiro e fevereiro, “com algumas variações devido às condições climáticas”, completa. Em Pernambuco, a produção do tipo convencional se concentra nos municípios de Camocim de São Félix, Bezerros, Sairé, Bonito e Ibimirim, no interior do Estado.

Na hora de escolher a melhor opção na gôndola, vale observar os aspectos em relação à receita. Quanto mais fresco, melhor. “Se for utilizado para molhos, precisa ser bem vermelho, brilhoso, sem marcas e de pele macia. Mas, se for tomate para o prato de salada, tem que ter essas características com a exceção da pele, que não pode estar macia e, sim, firme”, completa Firmo. De modo geral, nada de manchas ou ferimentos que destoem na aparência.

Tamanha preocupação só pode favorecer o sabor deste fruto que nasce do ovário das plantas, onde estão as sementes. “Botanicamente falando, as frutas são os frutos mais docinhos, então, popularmente, o tomate não ficou sendo considerado como uma fruta, já que não tem um percentual de açúcar tão alto e nem é doce. Sendo assim, as pessoas não conseguem fazer essa associação”, comenta a nutricionista Débora Correia. Na Coleção Plantar, publicada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), essa é a principal hortaliça produzida no Brasil que, por suas origens, cresce bem em condições de clima tropical de altitude e o subtropical fresco e seco, com bastante luminosidade.

Tomates

Tomates - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco


Saudável

Num mês como fevereiro, o tomate alcança o auge dos nutrientes. Das substâncias mais conhecidas do público, o licopeno ganha em disparada. É ele que origina a cor avermelhada e se torna um importante antioxidante que ajuda no combate dos radicais livres. “Evita o envelhecimento precoce, previne contra as doenças do coração e até alguns tipos de câncer. Principalmente o de próstata. É um alimento rico em vitamina A, que é essencial para a saúde dos olhos, pele e imunidade, além de possuir vitamina C, que auxilia na cicatrização de feridas e melhora a absorção do ferro”, defende a especialista em nutrição clínica e educadora em diabetes, Larissa Vila Nova.

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Mas nada disso adianta se ele estiver em meio a um preparo gorduroso, que não realce os benefícios do fruto. “O tomate é melhor aproveitado quando aquecido, pois o licopeno fica mais disponível ao ser submetido a altas temperaturas, favorecendo uma melhor absorção pelo organismo. Logo, o consumo de molhos e sopas são boas opções. E vale lembrar também que não deve ser consumido junto com alimentos fontes de cálcio, porque isso diminui a absorção dos nutrientes presentes”, completa.

Todos os pratos levam a ele

Cultivado pelos povos astecas, maias e incas, no período a.C., o ingrediente só chegou na Europa no século 16, onde se popularizou em receitas icônicas espalhadas pelos imigrantes. Que o diga a pizza produzida em Nápoles, na Itália, com a massa de trigo coberta por camada generosa de molho vermelho, fresquinho, valorizado pelo sabor de queijo e ervas como manjericão e salsinha. É combinação imbatível também para espaguete, lasanha, caneloni e outros pratos que remetem a Itália.

“Mas vai muito além das preparações clássicas, principalmente por conta da sua própria origem”, define o chef Duca Lapenda que, mesmo com base culinária ligada à Europa, mais especificamente a Itália, entende o insumo como um dos itens mais versáteis da cozinha. “Não tem como imaginar um refogado sem ele ou um prato mais elaborado com a mesma utilização, o que varia é a técnica”, aponta, antes de citar preparações como o gaspacho, que é a típica sopa fria da Espanha, o drinque bloody Mary, à base de vodca e suco de tomate, da Inglaterra, os legumes cozidos do prato ratatouille, comum na Espanha “e até o catchup originário na Asia, popularizado pela Inglaterra e trazido das colônias”, diz.

O melhor exemplo está na produção feita especialmente para a reportagem. Um prato de massa com o molho caprichado é pedida que preenche qualquer mesa do mundo. Mas se a ideia é mesmo surpreender, o pomodori verdi é uma espécie de tomate verde em conserva, que combina toque cítrico e agridoce para ser utilizado na montagem de sanduíches, bruschettas ou aperitivo. Tão representativo quanto o fruto verde, de pele resistente, e empanado, que pode ser servido como prato de entrada. “Na Itália, se costuma comer com um toque de vinagre ou outro elemento cítrico por cima. Pimenta também pode cair bem aqui”, aponta Lapenda.

Saiba mais
Pela nutricionista Larissa Vila Nova

- Não existem evidências científicas de que o consumo das sementes do tomate aumente as
chances do surgimento de doenças renais. No entanto, se o indivíduo possuir pedras de
oxalato de cálcio nos rins, é recomendado retirar as sementes antes de comê-
las.

- Outro mito é que o consumo dessas sementes pode piorar doenças como a gota (uma forma de artrite). Na verdade, elas contêm uma quantidade muito pequena de purina, substância que participa na formação do ácido úrico.

- O tomate é um dos alimentos mais ricos em agrotóxicos? Verdade. Por isso, opte pelo
tomate orgânico (livre de agrotóxicos) na hora da compra.

 

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