Vinho é astro na nova Bottega Bastardi

Casa de Manoel Fernandes e Thiago Vita tem conceito entre vinheria e restaurante

Atum selado ganha reforço com shimeji trufado e farofa de castanha de cajuAtum selado ganha reforço com shimeji trufado e farofa de castanha de caju - Foto: Ed Machado

A Bottega Bastardi fica entre uma vinheira e um restaurante. O novo projeto dos sócios Manoel Fernandes e chef Thiago Vita, inaugurado há um mês no ponto do extinto Nakumbuka Boa Viagem, em frente ao Kojima, é um sopro novidadeiro pelas bandas da Zona Sul, meio parada em termos de entretenimento.

A casa recebeu reforma elegante, mas longe de ser ostensiva, das arquitetas Milena Sotero e Fernanda Antunes, que tem como ponto alto o balcão com parede recoberta por garrafas de vinho e a cozinha aberta.

Vinho, precisa-se esclarecer, que é o astro absoluto das taças, contabilizado em quase 200 rótulos de vários países fornecidos pela Mistral. Ponto para a casa que disponibiliza variedade da bebida em opções de taça e meia garrafa. Não fica atrás, porém, a preocupação com a coquetelaria - uma tendência crescente no Recife. Uma boa seleção de drinques assinados pelo experiente Luciano Melo completa a carta etílica, que puxa o consumo da ótima gastronomia da casa - pensada para ser compartilhada.

É aí onde brilha Thiago Vita, sócio também da Toscana Trattoria, e titular do La Pecora Nera. Ao contrário do que se possa esperar, o cardápio da Bottega não traz repertório italiano purista. A Itália das suas raízes aparece, sim, aqui e acolá, sobretudo nas pitadas trufadas que ele dá em vários preparos, mas não chega a ser um menu italiano.

Ele arrisca vários ingredientes incomuns em seu trabalho, valendo começar pelo atum selado aromatizado com trufa, mais farofa de castanha de caju, molho à base de balsâmico, sumo de cítricos, shoyu e finalização com teriyaki de mel de engenho (R$ 45). O peixe nobre também surge em versão de tartare com raspas de siciliano, emulsão de óleo de gergelim e de abacate (R$ 35).

Uma referência direta ao petisco mais famoso do restaurante paulistano A Casa do Porco, nacos de barriga de porco preparados em baixa temperatura ganha cobertura de goiabada cremosa. Sai a R$ 33. Também chama a atenção o porcotone, que são almôndegas feitas com pernil de porco, mais molho de tomate artesanal e creme de burrata de búfala (R$ 38).

Saindo da categoria de entradas, o cardápio segue com pratos individuais robustos, como o stracotto d´agnello (R$ 45). Consiste numa paleta de cordeiro em baixa temperatura, guarnecida com musseline de mandioquinha, couve crespo e farofa de castanha.

Ou ainda o tagliata di vitellone, que traz o bombom de alcatra angus prime na brasa, mais batata rústica, rúcula e lasca de grana padano (R$ 49). Polvo, peixe, filé mignon e camarão também surgem. Não deixe escapar detalhe instigante: os pães são produzidos na própria cozinha. Em tempo. O serviço de salão contou com a consultoria do maître sommelier Otoniel Abílio, ex-Wiella, conhecido pela tarimba no métier.

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