Vinho Malbec: um queridinho dos brasileiros

No mês de abril, quando a uva Malbec é celebrada mundo afora, é tempo de encher a taça com seu vinho elegante e cheio de personalidade

Produtores argentinos oferecem versões  de toque frutadoProdutores argentinos oferecem versões de toque frutado - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Apesar de toda crise econômica pelas bandas da Argentina, o produto mais portenho de todos segue bem cotado na adega do consumidor brasileiro. A uva Malbec, assim como o tango, é desses patrimônios que o mundo reconhece e coloca, definitivamente, no seu top dez. Por aqui, essa preferência evoluiu tanto que, segundo especialistas no assunto, tornou-se nos últimos anos a segunda uva mais apreciada entre os vinhos tintos, a perder apenas pela imbatível Cabernet Sauvignon.

Prova disso é que a uva tem uma data para chamar de sua no calendário gastronômico, desde o ano de 2011. É o chamado Dia Mundial do Malbec, em 17 de abril, instituído pela Wines of Argentina, entidade responsável pela divulgação do vinho para outros mercados. No Recife, as comemorações ficaram a cargo do consulado da República Argentina e, mais uma vez, demonstraram a força de uma casta tão clássica. Aliás, não confunda esse adjetivo com qualquer tipo de caretice ou velharia de forma pejorativa. Muito pelo contrário. Para os enólogos, a forma que os produtores encontraram de abranger o público e se manter entre os mais consumidos foi se reinventar.

“O apreciador desse vinho quer algo mais potente, com estilo e características de madeira. No entanto, a tendência tem mudado um pouco, a partir de versões mais elegantes e possíveis ao público iniciante”, explica a enóloga e consultora da Veloz Distribuição, Emille Cruz. Ela também acrescenta que essa variação acontece quando os produtores mudam a área de plantio para terrenos com atitudes diferentes, além de variar nos métodos de fermentação e no tempo de amadurecimento, alcançando resultado final mais jovem e aromático. “É como a gente observa na linha Cadus, da Nieto Senetier, que alternou a sua região de cultivo em nome de notas mais leves e frutadas”, aponta.

Tradição na taça
Embora esse prestígio tenha origem no nosso vizinho sul-americano, trata-se de uma uva originária da região de Cahors, no sudoeste da França, ainda dos tempos do Império Romano. No século 18 essa mesma uva foi levada para a região francesa de Bordeaux, onde era cultivada para dar corpo e cor aos tintos mais delicados feitos por ali.

É tempo de Malbec

É tempo de Malbec - Crédito: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Ainda de acordo com os registros históricos, uma praga nas videiras europeias causou estrago na maioria das plantações, em meados do século 19. Sorte que, alguns anos antes, o agrônomo francês Michel Aimé Pouget levou para a Argentina algumas mudas, pois havia sido contratado para impulsionar a Quinta Agronômica de Mendoza. A ideia era aumentar a variedade de cepas para elevar a qualidade da indústria vinícola da região.

“Na França, o Malbec tem mais acidez e os aromas de frutas são mais frescos que o Malbec argentino. O sul-americano tem cor que vai de violeta a rubi, sempre bem concentrada. Os aromas mostram notas de frutas vermelhas e negras maduras, muitas vezes puxando para geleia. Também podem aparecer toques de violeta, baunilha, mentol e chocolate. Em geral, são encorpados e alcoólicos”, define a sommèliere Fabiana Gonçalves.

Em solo brasileiro
A aceitação no mercado brasileiro é tão visível que produtores da Rio Sol, no Vale do São Francisco, pretendem aumentar a área de cultivo do Malbec em 4% até o final deste ano ou no começo do próximo. “Temos pouco dele por aqui, porque utilizamos em alguns cortes. Mas, no futuro, temos a pretensão de expandir”, comenta o enólogo da empresa, Ricardo Henriques. Ainda segundo ele, o resultado final, mesmo que na forma de blend, é ter uma bebida mais concentrada e com boa estrutura.

No caso do Rio Grande do Sul, onde a concentração de produtores é maior, o investimento segue firme. “Um deles é a Dom Guerino, de Alto Feliz. Além de um tinto de estilo mais leve, eles produzem rosé de Malbec e um espumante rosé, todos de boa qualidade. Outros produtores de expressão nesse produto no Brasil são as vinícolas Lidio Carraro, Almaúnica e Don Laurindo”, enumera Fabiana.

Harmonização
Sommeliers são unânimes ao afirmar que essa é uma boa pedida gastronômica. Daquelas para acompanhar um prato robusto. A sugestão vai para as carnes com gosto de churrasco, mais gordurosas, a exemplo das parrillas. No prato, os sabores fortes continuam em pedidas como risoto de cordeiro ou uma massa com molho de tomate fresco e pedaços de bacon. Por último, há quem consiga combinar esse tinto com um chocolate amargo.

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Sabia que...

Com a fama do Malbec argentino, alguns produtores franceses da região de Cahors passaram a colocar o nome da uva no rótulo para chamar atenção. O que não é comum por lá

Essa é uma uva “exigente” no plantio. Deve ser bem cuidada para poder expressar todas as suas características no vinho

Outros produtores em potencial são Chile, África do Sul, Estados Unidos e Itália

Média de preços


Benjamin Nieto Senetier
R$ 34,90

Benjamin Nieto Senetier Select
R$ 59,90

Emília Nieto Senetier
R$ 51

Alfredo Roca Fincas
R$ 66

Nieto Senetier Reserv
R$ 65

Nieto Senetier D.O.C.
R$ 84

*Fotos produzidas na Veloz Distribuição

 

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