Vitaminoterapia: benefícios ou malefícios

Quando existe um déficit vitamínico acentuado no nosso organismo, temos repercussões muito negativas na nossa saúde.

Prefeitura de OlindaPrefeitura de Olinda - Foto: Diego Galba/Prefeitura de Olinda

 

As vitaminas são substâncias que têm importantes ações nas milhões de reações químicas que ocorrem no nosso organismo. Verduras, frutas e leite são algumas principais fontes. Uma dieta equilibrada normalmente nos fornece as quantidades adequadas que necessitamos. A vitamina D existente em pequenas quantidades nos alimentos nos é fornecida principalmente pela ação do sol na nossa pele. Porém, quando existe um déficit vitamínico acentuado no nosso organismo, temos repercussões muito negativas na nossa saúde.
Esta condição só ocorre em situações muito adversas da ingesta alimentar por pobreza ou incapacidade de acesso à alimentação, por problemas psicológicos (anorexia nervosa, por exemplo) ou doenças intestinais que prejudiquem a absorção alimentar. Dependendo do déficit de vitaminas predominantemente várias doenças, algumas graves podem surgir e, inclusive, acarretar a morte. Pelagra, raquitismo, beribéri, anemias e cegueira são alguns exemplos. É fundamental esclarecer que estas condições só aparecem quando na existência de grandes carências. Inquéritos alimentares em grande cidades revelam que partes importantes de suas populações são ingerem a quantidade desejavel de cada vitamina.

Apesar da não ingestão adequada, não se detectam prejuízos detectáveis à saúde destes indivíduos. O grande estímulo ao consumo de medicamentos vitamínicos veio por conta da descoberta de outras ações destas substâncias. As reações químicas que ocorrem constantemente no organismo, além de cumprirem a sua função específica, produzem substâncias que são lesivas aos tecidos. Os chamados radicais livres e a substâncias oxigênio reativas.

Existem evidências de que estes dois produtos tóxicos, resultantes do nosso metabolismo, têm o papel importante no surgimento e agravamento das doenças cardiovasculares e do câncer. Ficou evidenciado em laboratórios que algumas vitaminas, por suas ações antioxidantes, minimizariam os efeitos deletérios destes resíduos.

Imaginou-se, então, que a vitaminoterapia teria um papel importante na proteção, surgimento e evolução das doenças cardiovasculares e câncer - as duas mais importantes causas de mortalidade na população adulta. O consumo das vitaminas disparou. Mais de 30% da população adulta americana utiliza regularmente complexos multivitamínicos.
Infelizmente isto não se confirmou. A quase totalidade das pesquisas tem demonstrado que estas ações não ocorrem. Até muito pelo contrário - o uso delas, ao invés de benefícios, podem trazer malefícios. Existem pesquisas que demonstraram que o uso das vitaminas A, C e E não só aumentam a incidência de infarto e câncer, mas também da mortalidade. Esses efeitos maléficos são mais constatados com a vitamina E e o betacaroteno, que é o precursor da vitamina A. A grande maioria da comunidade científica não mais duvida de que elas aumentam a possibilidade do surgimento do câncer de pulmão.

Por conta disso, dois importantes documentos foram emitidos este ano. Um do Conselho Federal de Medicina do Brasil, que proíbe que os médicos anunciem e utilizem a vitaminoterapia para prevenção ao tratamento de qualquer doença. O outro foi do governo americano, em outubro próximo passado, em que afirma que a vitamina E e o betacaroteno aumentam a incidência de tumor de pulmão, e que inexiste comprovação científica de nenhum benefício do uso de vitaminas na prevenção e tratamento de nenhuma doença. Apesar destes conhecimentos, ainda existem os que estão sendo beneficiários dos complexos vitamínicos. Para os fabricantes, o faturamento de mais de 30 bilhões de dólares anuais.

 

Veja também

Boa alimentação ajuda a combater a anemia
Saúde

Boa alimentação ajuda a combater a anemia

Dia do Macarrão: conheça as receitas que vão além dos clássicos italianos
Gastronomia

Dia do Macarrão: conheça as receitas que vão além dos clássicos italianos