Wäls expande produção artesanal

Cervejaria mineira abre fábrica que explora o envelhecimento da cerveja em barris de madeira, inclusive, raras

À frente da cervejaria, os  irmãos Thiago e José Felipe Carneiro promentem agitar ainda mais o mercado de  bebida artesanalÀ frente da cervejaria, os irmãos Thiago e José Felipe Carneiro promentem agitar ainda mais o mercado de bebida artesanal - Foto: Alexandre + Cristina Lima Fotografia/Divulgaç

 

Em Belo Horizonte (MG) está a prova do quanto a produção de cerveja artesanal anda acompanhando os bons goles do público apreciador. Tudo bem que na terra do pão de queijo há boêmios que não arredam o pé dos incontáveis botecos espalhados pela cidade. Mas numa visão macro, é possível chegar ao que faz a mineira Wäls e sua confecção para bebedores muito além da fronteira. Tamanha demanda tirou do papel o projeto de uma nova fábrica, com ares de ateliê, que reforça a mensagem de que é possível fazer cerveja ao gosto do cliente.

Trata-se de uma área generosa onde centenas de barricas de madeira acomodam mais de 100 mil litros de bebida em fases de envelhecimento e fermentação. A depender do tempo e do tipo da madeira - algumas novas nesse procedimento - é que o sabor tomará corpo, entre o intenso ao mais aveludado, e ganhará as demais características desejadas pelos mestres cervejeiros. Tecnologia que também permite reforçar outro ponto forte da marca, o cruzamento dos processos de vinho e cerveja.

Isso, porque, eles têm experiência na fabricação de brejas pelo método clássico champenoise, que propõe uma segunda fermentação na garrafa, de acordo com os padrões belgas. Essa produção ganhou destaque em uma adega com mais de 20 mil garrafas, localizada sobre a loja do Ateliê. “Vamos expandir o uso do champenoise não só no brut, mas em outros tipos. Além disso, trabalharemos também com outro método bem conhecido, o charmat, em um rótulo que prometemos lançar dentro de um mês”, diz o sócio, e também mestre cervejeiro, José Felipe Carneiro, ao adiantar algo sobre a nova Evita. As demais receitas produzidas pela Wäls, como as mundialmente premiadas Dubbel e Petroleum, continuarão sendo produzidas na cervejaria antiga, também na capital mineira.

Inquieto e empolgado pelo assunto, José Felipe toma conta do negócio criado pelo pai ao lado do irmão Thiago Carneiro. Juntos tocam o processo de evolução pela qual a marca tem passado nos últimos dois anos, desde a compra da Wäls pela gigante Ambev. Dessa aquisição, a pergunta mais presente tem sido como o grupo conseguiu manter o caráter artesanal, com o histórico de quem começou nos anos 2000 vendendo chope para restaurantes, ser agora parte de uma das maiores empresas de bebidas do mundo. “Quando esse contato aconteceu, pedi logo para conhecer o centro de tecnologia do grupo, e eles falaram que seria uma honra. Conversamos com os metres cervejeiros deles e a conclusão foi de que estávamos unindo forças, sem deixar de falar de arte e sabor em torno do que acreditamos”, completa José Felipe.

Todos os estilos
A liberdade para criar e produzir se tornou a promessa perfeita para os irmãos materializarem projetos como o próprio ateliê. Aliás, graças a essa nova estrutura, os irmãos já puderam anunciar que turbinarão o atual clube MadLab, hoje com 1500 sócios, para um serviço de personalização da suas geladas. “Já que todos têm o direito de escolha, daremos ao público esse poder de fabricação da própria bebida. De forma online, será possível escolher, por exemplo, um tipo de madeira, como a de carvalho francês, para suavizar o sabor e dar ar mais sofisticado ao produto que ele receberá na sua casa em qualquer parte do Brasil”, destaca Thiago, prevendo lançamento para pouco mais de um mês. Em tempo. Os rótulos da Wäls podem ser encontrados por aqui em alguns restaurantes e endereços especializados em cerveja. A de trigo Belgian Witte, por exemplo, que é uma pedida bem refrescante feita com especiarias como pimenta da Jamaica e laranja da terra, pode sair até R$ 10.

 

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