Chindia: que força é essa representada por este nome?

Fecharmos o ano de 2017 com um déficit negativo de mais de 3.5 bide US$ é um sinal vermelho que nos força a uma reflexão profunda sobre o setor público e privado

Rainier Michael, Cônsul da EslovêniaRainier Michael, Cônsul da Eslovênia - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Chindia – O que é? Ou melhor, que força é essa representada por este nome?

“Pequenas empresas desconhecem as oportunidades para exportar” – Revista Algomais 02/2018.

Antes de responder estas perguntas, gostaria de pontuar algumas questões importantes, dentro do universo do comércio internacional e suas tendências.
Para um estado, que tem em seu DNA histórico o comércio exterior ao longo de seus quase 500 anos de história, fecharmos o ano de 2017 com um déficit negativo de mais de 3.5 bilhôes de US$ é um sinal vermelho que nos força a uma reflexão profunda sobre o setor público e privado.

Somada a esta informação, lembro que dispomos de mais de 40 representações diplomáticas presentes no Recife, sendo 10 consulados gerais e 30 consulados honorários. A atual situação gera dúvidas em relação a estratégia internacional que possuímos. Ou seja, precisamos discutir a potencialidade de TODA esta rede/HUB e não apenas com alguns parceiros tradicionais ou mais conhecidos. É um erro estratégico e protocolar o poder público e privado se relacionar apenas com os consulados gerais e deixar de lado a rede de consulados honorários presentes em todo o território nacional.

Recentemente, a revista Algomais teve como tema de capa: “Mercado externo é para todos” criando uma “provocação” necessária para mostrar que é possível reverter, dentro de um curto prazo de tempo, esta situação para o estado de Pernambuco.

Outra informação de grande importância estratégica, que necessita de ampla discussão, está contida no estudo liberado pelo Ministério da Indústria MDIC, Comércio Exterior e Serviços apresentada de forma resumida no mapa (MDIC/Divulgação) do Brasil, exemplificando os principais destinos das exportações por estado.

Veja que quase metade dos estados brasileiros tem a China como principal destino das suas exportações!

 

Mapa de exportações

 

Apesar da recuperação dos preços internacionais de commodities e da safra recorde ajudarem a balança comercial brasileira a fechar 2017, com o melhor saldo positivo registrado até hoje, muitos estados não aproveitaram esta “onda” e registraram déficit na balança comercial.

Podemos ver, com clareza, que a China é a principal parceira comercial do Brasil, sendo compradora, principalmente, de soja (43% do valor), minério de ferro concentrado (22%) e óleos brutos de petróleo (15%). Fonte: MDIC

Assim, chegamos ao tema da coluna desta semana; afinal o que é “Chindia”?

Chindia
É uma palavra que se refere à China e à Índia juntos, em geral. O crédito de cunhar o agora popular termo vai para o deputado indiano Jairam Ramesh.

Com uma localização geográfica próxima, a China e a Índia são consideradas países emergentes, estão entre as maiores economias e de crescimento mais rápido do mundo. Os países, juntos, somam mais de um terço da população mundial. Foram nomeados países com o maior potencial de crescimento, nos próximos 50 anos, em um relatório BRIC. BRIC é um acrônimo de agrupamento que se refere aos países do Brasil, Rússia, Índia e China.

A grande ascensão econômica da China e Índia, com um PIB nominal combinado ao redor de US$ 15 trilhões, com quase 3 bilhões de produtores e consumidores gerou um termo que tem sido muito utilizado que resume esta grande força internacional do século XXI – “Chindia”.

Neste contexto, fica evidente o deslocamento do eixo geoeconômico do mundo para o Sudeste Asiático.

Mas, afinal, como Pernambuco poderia tirar proveito deste novo posicionamento geoeconômico?

Não deixe de ler a coluna da próxima semana...

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