IBGE: Lula decide manter Pochmann, mas Planalto teme que crise afete credibilidade
Instituição foi tema de conversa de Lula com os ministros Rui Costa e Simone Tebet, na segunda-feira, dois dias antes do anúncio da suspensão da criação do IBGE+
A crise que envolve o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a ser acompanhada de perto por integrantes do Palácio Planalto após a escalada dos últimos dias.
Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ora não cogite demitir o presidente do instituto, Marcio Pochmann, a preocupação de auxiliares do petista é que a tensão entre o dirigente e servidores do órgão acabe por afetar a credibilidade da instituição, que é responsável por dados sensíveis ao governo, como o Censo populacional, dados de inflação e PIB, além de outros indicadores sociais e econômicos relevantes.
A situação do IBGE foi um dos temas de uma conversa do presidente com os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e do Planejamento, Simone Tebet, na segunda-feira (27).
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Dois dias depois da reunião, o Ministério do Planejamento e o IBGE, em nota conjunta, anunciaram a decisão de suspender temporariamente a criação da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+), que vinha sendo criticada pelo sindicato dos servidores e pelos funcionários do instituto. O IBGE+ dos principais pontos da crise na gestão Pochmann por ser considerado um “IBGE paralelo”.
Interlocutores de Lula afirmam que o momento requer um olhar “mais próximo” ao que ocorre no instituto, que tem sede no Rio de Janeiro.
Ministros monitoram de perto
Os ministros Rui Costa, e o de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, são dois dos auxiliares escalados para monitorarem a crise mais de perto.
Na quarta-feira, Tebet e Pochmann tiveram um encontro a sós no Ministério do Planejamento, em Brasília. Embora não seja indicação sua, Pochmann tem boa relação com a ministra e a informa dos movimentos do instituto.
O economista foi alçado ao comando do IBGE por uma escolha pessoal de Lula e não deve ser demitido por ser considerado um soldado fiel ao presidente. Também pesa o fato de Lula não ter como hábito demitir auxiliares por pressões externas. Lula gosta de Pochmann e o tem como amigo.
O atual presidente do instituto foi presidente da Fundação Perseu Abramo, entidade ligada ao PT, e do Instituto Lula. Por duas vezes, concorreu à prefeitura de Campinas bancado por Lula. Em 2022, esteve no círculo restritos de convidados do casamento de Lula e a primeira-dama Janja da Silva.
Apoio da presidente do PT
Pochmann também conta com apoio da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que defende sua permanência nos bastidores e publicamente. A dirigente foi às redes sociais na quarta-feira afirmar que "o caráter político e partidário da campanha contra Pochmann é evidente e só interessa a quem teme o fortalecimento do IBGE."
Como mostrou a colunista Malu Gaspar, a suspensão da criação da fundação não será suficiente para pacificar a instituição e deve encerrar a crise em torno de Pochmann.
Integrantes do instituto afirmam que seguem pontos de atrito e que o clima de descontentamento e desconfiança em relação à cúpula permanece.
A contrariedade com a criação da fundação motivou uma carta com 651 assinaturas, das quais 289 de quadros em cargos de chefia. O documento com uma mobilização inédita na história do instituto afirma aponta que Pochmann é autoritário pela imposição de agendas como a entidade de direito privado e outras medidas internas.