caso odebrecht

Promotor pede 30 anos de prisão para filha de ex-presidente peruano por "Caso Odebrecht"

O MP acusa Fujimori pelos crimes de lavagem de dinheiro e crime organizado, obstrução à justiça, bem como falsa declaração em procedimento administrativo

A ex-candidata presidencial e congressista peruana Keiko FujimoriA ex-candidata presidencial e congressista peruana Keiko Fujimori - Foto: Juan Carlos Cisneros / AFP

A Procuradoria do Peru pediu nesta terça-feira 30 anos e 10 meses de prisão para a ex-candidata d direita à presidência Keiko Fujimori (filha do ex-presidente Alberto Fujimori), no julgamento que ela enfrenta por lavagem de dinheiro no âmbito do escândalo de corrupção levado a cabo pela construtora Odebrecht.

“No total, a pena específica para a acusada Keiko Sofía Fujimori Higuchi solicitada pelo Ministério Público é de 30 anos e 10 meses de reclusão”, afirmou o procurador José Domingo Pérez ao apresentar o documento acusatório durante a audiência do caso, no qual ela é acusada de receber dinheiro ilegal para financiar as suas campanhas eleitorais de 2011 e 2016.

Além disso, a magistrada pediu ao tribunal que ela fosse inabilitada para exercer cargos públicos durante 15 anos, o que a deixaria fora da corrida às eleições presidenciais de 2026. Fujimori é o líder do Fuerza Popular, o principal partido de direita do Peru, grupo pelo qual concorreu três vezes à presidência.

O Ministério Público acusa a filha do ex-Presidente Alberto Fujimori (1990-2000) pelos crimes de lavagem de dinheiro e crime organizado, obstrução à justiça, bem como falsa declaração em procedimento administrativo.

Keiko Fujimori, de 49 anos, não compareceu ao tribunal, onde Pérez chegou vestindo um colete à prova de balas, ao contrário da audiência anterior em que havia passado sem ele.

Keiko esteve duas vezes em prisão preventiva, em um total de 16 meses, acusada de receber suposts contribuições ilegais da gigante da construção brasileira Odebrecht no valor de 1,2 milhões para as campanhas de 2011 e 2016. Fujimori sempre proclamou a sua inocência.

Embora na época fossem permitidas contribuições para campanhas de empresas estrangeiras, o Ministério Público a processou por não ter declarado o rendimento do dinheiro aportado pela Odebrecht.

O julgamento contra o líder e mais de 40 co-réus – para o qual são convocadas cerca de 1.500 testemunhas – pode demorar mais de um ano. A trama do escândalo de corrupção da Odebrecht no Peru envolveu também quatro ex-presidentes do país, entre 2001 e 2016, além de inúmeros políticos.

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