OPINIÃO

Final feliz dos enredos corporativos passa por longevidade e impacto positivo das empresas

Julho é época de novos heróis e velhos conhecidos aparecerem em aventuras no cinema ou na Netflix. Sentamo-nos diante da tela, dispostos a mergulhar em uma grande história, empolgados com o coadjuvante que fará de tudo para alcançar o final feliz duas horas depois. São histórias que, em geral, começam em um dia comum de uma pessoa comum, com suas qualidades e defeitos. De repente, algo interrompe sua rotina e, com maior ou menor relutância, a pessoa se torna protagonista que precisa tomar alguma atitude quanto ao desafio que surgiu.

Na vida, porém, não há roteiro que prepare os atores para o futuro, nem garantias de um final feliz após um tempo pré-determinado. Contudo, é fácil perceber como usamos intuitivamente a mesma estrutura narrativa a qual nos acostumamos desde pequenos para ordenar e dar sentido ao nosso momento atual ou àqueles que já vivenciamos e nos trouxeram até aqui. Não à toa, usamos muitos dos personagens que nos acompanham desde a infância para “explicar” as pessoas e o mundo - Síndrome de Peter Pan ou do Príncipe Encantado, Complexo de Alice no País das Maravilhas ou de Cinderela, por exemplo.

Conhecido desde o século passado como “a jornada do herói”, graças ao trabalho do escritor americano Joseph Campbell, esse tipo de estrutura envolve desafios extraordinários que surgem diante de pessoas comuns, alçadas a uma posição protagonista. Além de popular na indústria do entretenimento, mais e mais é utilizada no mundo corporativo. Afinal, a história das empresas é repleta de desafios, superação, protagonistas (líderes) inspiradores, mentores, aliados, antagonistas e conflitos até a vitória transformadora. Uma vitória que, a nível corporativo, pode ser traduzida por sua longevidade e relevância, e é, em última instância, representada pelo legado que muitas deixam para a sociedade.

Apresentando fatos e dados, essa estrutura possibilita o maior engajamento da equipe e ajuda a promover o alinhamento de todos quanto a valores, comportamentos e objetivos esperados. Também facilita o entendimento dos desafios à frente e a conscientização quanto à necessidade da busca de conhecimentos para suplantar os percalços ao longo do caminho. Seja através de mentores, conselheiros e pares, seja pela análise criteriosa dos acertos e erros até então, via autocrítica ou feedback de gestores, o conhecimento e as experiências práticas, como no caso dos heróis da ficção, pavimentam a transformação e a evolução contínua dos heróis do dia a dia nas organizações.

Ao mesmo tempo, a narrativa celebra os avanços, usando-os como incentivo para enfrentar desafios maiores, e torna mais próxima a figura do líder, humanizando-o e oferecendo maior clareza quanto à visão para o futuro da organização.  Ou seja: como nos bons filmes, a jornada do herói adaptada ao mundo corporativo sublinha elementos fundamentais para as organizações: aprendizado, espírito de equipe, comprometimento pessoal, superação e resiliência. Sobretudo, ajuda na conscientização de cada um quanto ao seu papel - tanto para o sucesso presente quanto para a construção do futuro - no enredo que fará com que a empresa se torne longeva e impacte positivamente a sociedade.

Nesse aspecto, a narrativa das empresas se assemelha mais àquelas de seriados com temporadas sucessivas: um único episódio pode até trazer uma trama completa em si mesma, mas é a sequência de histórias, cada qual com seu desafio, superação e lições, que nos permitem conhecer sua essência e seus personagens na sua dimensão humana. O final feliz passa a ter a mesma importância da jornada de transformação e aprendizado que torna heróis e heroínas pessoas melhores e mais fortes, líderes mais inspiradores e resilientes, capazes de impactar positivamente todos ao seu redor. Como a sua empresa conta a sua história? Talvez esteja na hora de prestar mais atenção a isto.

 

*Vice-presidente de Marketing da Falconi

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