França e Câmara medem força em congresso do PSB

Reunião será realizada quinta-feira para fechar orientação programática das eleições e escolher o novo diretório

Paulo Câmara sorrindoPaulo Câmara sorrindo - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O Congresso Nacional do PSB, marcado para os dias 1, 2 e 3 de março, em Brasília, servirá de termômetro para o governador Paulo Câmara (PSB) e o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), demarcarem posição. Os dois são integrantes da Executiva Nacional e vão medir forças na orientação programática para as eleições. De flerte com o PT, o pernambucano quer evitar que França, que defende uma aliança com o PSDB, aprove alguma monção que leve a legenda a apoiar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República. Hoje, Paulo viaja à capital para participar das filiações do deputado federal Alessandro Molon, que saiu da Rede, mas já foi do PT por 18 anos, e Aliel Machado.

Em reserva, um socialista afirmou que movimentações de França no ato do partido não estão descartadas. "Não há convicção de que Márcio França não vá tentar algo inesperado no congresso. É preciso cautela", disse. Além de discutir o cenário político, o Congresso Nacional vai eleger os novos membros do diretório e da executiva pelos próximos três anos. Atualmente, Paulo Câmara ocupa o cargo de vice-presidente nacional da agremiação, enquanto que França é primeiro secretário-nacional de Finanças. Por causa do poder de decisão, tanto Paulo Câmara como França querem, além de se reelegerem, colocar aliados nos cargos estratégicos do partido. Quem faz a escolha é o conjunto de delegados de cada diretório estadual. Pernambuco tem 91 delegações, o Estado com maior número. São 68 colegiados eleitos e 23 natos.

Na mesma chapa, também são escolhidos os representantes dos diversos segmentos da agremiação, como LGBT, Mulher e Negritude. Todos fazem parte da estrutura da Comissão Executiva Nacional. A expectativa, segundo o prefeito e primeiro-secretário nacional, Geraldo Julio, é que haja pouca mudança entre os dirigentes. Em julho, o PSB fará outro congresso para definir as arrumações eleitorais nacionais. De acordo com Geraldo, o calendário dessa forma fica compátivel com a conjuntura política. "Nenhum partido tomará decisão dia 1 de março. Esse congresso inicia as discussões para as alianças nas eleições. Está tudo dentro do cronograma", acrescentou o gestor, em agenda no Palácio, na última sexta.

Histórico
Embora filiado há cerca de 30 anos ao PSB, Márcio França já protagonizou tensionamentos com o grupo ligado a Paulo Câmara. França inclusive já esteve alinhado ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), hoje desafeto do governador, e tentou assumir o controle da sigla no lugar do atual presidente nacional, Carlos Siqueira, ligado a Paulo. França tem uma relação estreita com Alckmin e defende Pernambuco no palanque tucano em troca de apoio a sua candidatura ao Governo Paulista.

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