Empresários criticam novo feriado estadual

Parada no dia 6 de março, pela Data Magna, significa perdas para indústria e comércio, segundo entidades privadas

Comércio Comércio  - Foto: Reprodução/Internet

A partir deste ano, o calendário de feriados estadual passa a contar com mais um feriado - a Data Magna - comemorado em 6 de março, referência à Revolução Pernambucana de 1817. Com isso, neste ano, os pernambucanos terão um total de 15 feriados. Se a notícia de mais uma parada na rotina de trabalho alegra muita gente, na outra ponta, os empresários dos setores de comércio, serviços e indústrias, um dia sem funcionar significa deixar de produzir e faturar. E, para quem opta por abrir, os custos envolvidos implica em prejuízo ainda maior, com pagamento de 100% de hora extra, taxa sindical, deslocamento, água e luz, o que torna inevitável não aderir à parada.

Por se tratar do primeiro ano que ocorre, não há estudo que estime o impacto desse mais novo feriado no calendário estadual. No entanto, se levarmos em consideração a estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) de que para cada dia parado o comércio deixa de faturar cerca de 9%, mais um dia sem lucrar justamente quando o setor começa a retomar um discreto crescimento é sinônimo de prejuízo na certa.

“O feriado retira grande parte da população dos grandes centros comerciais tradicionais, fazendo com que os lojistas percam a compra por impulso de parte da população que estaria transitando pelas ruas”, explica o economista da Fecomércio-PE, Rafael Ramos. Ele atenta que a ação, além de impactar negativamente o setor do comércio, reduz na mesma proporção da queda das vendas a arrecadação estadual através do ICMS. “ Acredito que não apenas a criação de novos feriados deveria ser revista, mas também os excessivos feriados já existentes, a fim de contribuir para uma retomada mais rápida e um aumento da produtividade da economia em Pernambuco”, reitera o economista.

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Representando os lojistas da cidade, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife), Cid Lôbo, revela que a decisão de não abrir durante a Data Magna é unânime. “Salvo as grandes lojas da cidade, que geralmente abrem em feriados, a maioria deve fechar, pois de fato não compensa abrir. Se esse feriado fosse próximo ao Dias das Mães, São João,faríamos um esforço para abrir geral, mas nessa época de “entressafra” para o comércio, em que não se tem motivações para comprar, abrir é ter um custo desnecessário”, revela Lôbo, que lamenta mais essa pausa obrigatória. “Enquanto a gente luta para trabalhar para sair da recessão, as pessoas criam feriados sem a menor necessidade”, ressalta.

Até 2017, a Data Magna era comemorada no primeiro domingo do mês de março. Com a aprovação, em junho de 2017, do projeto de lei de autoria dos deputados Teresinha Nunes (PSB) e Isaltino Nascimento (PSDB), a data oficial passou a ser 6 de março. “Totalmente desproposital a criação de mais um feriado. Quando era no domingo não prejudicava ninguém. Este ano essa data cai na terça, o que implica dizer dois dias que a indústria deixará de produzir e faturar, justamente nesse tempo em que precisamos disso para voltar a crescer", enfatiza o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger.

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