Importação de carros cresce 38% no bimestre

Sem a cota de 4,8 mil unidades por ano para cada marca, o setor projeta a importação de 40 mil veículos para 2018

Produção de veículosProdução de veículos - Foto: Ivan Bueno/APPA

O mercado de veículos importados reagiu no primeiro bimestre de 2018. Foram 5.002 veículos emplacados, o que representa um aumento de 37,8% em relação aos dois primeiros meses do ano passado. Sem a cota de 4,8 mil unidades por ano para cada marca, que era estipulada pelo Inovar-Auto, o setor projeta a importação de 40 mil veículos para 2018, o que representará 1,67% do mercado interno.

Sem o Inovar-Auto, que deixou de vigorar em 2017, os importados passaram a pagar somente 35% do imposto de importação, quando são oriundos de países com os quais o Brasil não tem acordo comercial. México e países do Mercosul são exceções.

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Antes, caso ultrapassassem a cota deveriam pagar mais 30 pontos percentuais extras no IPI, que ficou conhecido como Super IPI. O presidente da Abeifa (Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores), José Luiz Gandini, afirma que o crescimento é pequeno, pois na análise dele, as vendas de 2017 foram baixas: 29 mil unidades. Antes da implantação do Inovar-Auto, em 2011, foram importados 199 mil veículos.

Gandini não acredita que seja possível retornar ao patamar de 2011, pois é preciso reconstruir o setor. Em 2011, os importados representavam 5,82% do mercado, tinha 850 concessionárias e 35 mil funcionários. No fim de 2017, representava 1,37%, com 450 concessionárias e 14 mil funcionários. Além da redução da estrutura, outra barreira, segundo Gandini, que é presidente da Kia no Brasil, é o câmbio. Em 2011 o dólar estava a R$ 1,67 e hoje a R$ 3,24. "É impossível retornar aos números de 2011".

Gandini avalia que os importados devem se concentrar em nichos, como crossovers, minivans, utilitários-esportivos, sedãs médios e grandes, além dos esportivos. Devido ao dólar, não há como competir com os modelos de entrada, como hatchs e sedãs compactos.

Rota 2030
Enquanto as fabricantes nacionais reclamam da demora da entrada em vigor do Rota 2030, que trará as novas regras para a indústria automotiva substituindo o Inovar-Auto, os importadores não consideram o novo plano fundamental. "Se não for anunciado até 6 de abril fica para 2019", afirma Gandini, sobre o Rota 2030. A data é o limite para saída dos cargos dos políticos que serão candidatos. Se até a data não for definido, o executivo entende que o assunto será sufocado pelas eleições.

O planejamento inicial do governo federal era que o Rota 2030 ficasse pronto no final de outubro, para após um período de 90 dias (chamado de noventena) as mudanças nos impostos começassem a vigorar em janeiro de 2018. "Na época a prioridade do governo era a reforma da Previdência", afirma o presidente da Kia. Depois, Gandini entende que a prioridade passou a ser a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. "O Rota 2030 nunca foi prioridade", afirma.

O plano, segundo Gandini não é anunciado pois há uma disputa entre o Ministério da Fazenda e o Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Ele participou de cerca de 100 reuniões em Brasília em um dos sete grupos de trabalho formados com representantes do governo e da indústria.

A principal pendência, segundo Ganidni, é que o Ministério da Fazenda não admite conceder R$ 1,5 bilhão em subsídios para as fabricantes investirem em pesquisa e desenvolvimento.

O ministro do Mdic, Marcos Jorge de Lima, disse nesta terça-feira (6), durante cerimônia na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais (PR), que não tinha respostas sobre o Rota 2030. Ele já havia dito que o plano seria anunciado até o final do mês passado. A reportagem procurou o Mdic para saber se há um prazo, mas não recebeu resposta.

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