Subestação da Jeep vai sair do papel

Estado promete dar início às obras, que vão entregar energia de alta tensão para a Fábrica de Goiana, em março

Fábrica da Jeep em GoianaFábrica da Jeep em Goiana - Foto: Peu Ricardo/Arquivo Folha de Pernambuco

Prometida por Eduardo Campos como uma forma de atrair a Fábrica da Jeep para Pernambuco, a linha de transmissão que vai abastecer o polo automotivo com energia de alta tensão vai enfim sair do papel. A expectativa do Estado é que as obras, avaliadas em cerca de R$ 80 milhões, comecem em março e sejam concluídas até o fim deste ano. Afinal, o processo licitatório, que estava travado há anos, foi finalmente concluído.

“Demos o passo que faltava para o pontapé inicial da obra”, comemorou o secretário executivo de projetos estruturadores da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sdec-PE), Heraldo Selva, contando que a pasta acabou de assinar o edital de contratação da empresa que vai supervisionar a construção. “Esta empresa vai fazer a fiscalização e o gerenciamento da obra, além de avaliar o projeto-executivo para liberar o início da construção”, explicou Selva, contando que este projeto está quase pronto e já deve começar a ser avaliado na próxima segunda-feira.

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Ainda segundo a Sdec, a ideia é construir 32 quilômetros de linhas de transmissão e 65 torres de energia entre a subestação Pau Ferro, que pertence à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) e fica em Igarassu, e a Fábrica da Jeep de Goiana. Também está prevista a implantação de três transformadores de 50 MVA no empreendimento automotivo. O plano foi desenhado pelas companhias ATP Soluções em Energia Ltda. e Sadesul Projetos e Construções LTDA, contratadas para executar a obra ainda em março de 2016. E, agora, será avaliado pelo consórcio formado pelas empresas Engeconsul, Techne e Engevix - esta última foi investigada na Operação Lava Jato e acabou sendo vendida por R$ 2 em 2016.

O consórcio vai receber R$ 2,3 milhões por este serviço e pela avaliação subsequente da obra. Porém, só tem até o fim de fevereiro para dar uma resposta final sobre o projeto-executivo. Afinal, a Sdec quer dar início às obras em março - quase três anos após o início das operações da Fábrica da Jeep, inaugurada em abril de 2015. “Fizemos duas licitações antes. Mas, por vários motivos, elas precisaram ser canceladas. E isso demandou tempo”, justificou Selva, dizendo que, depois de dar a ordem do serviço, em dezembro de 2016, o Estado ainda precisou esperar que o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) liberasse o financiamento dos R$ 80 milhões necessários para a obra.

Ele garante, por sua vez, que a ausência da subestação não tem atrapalhado o funcionamento da Jeep. É que a fábrica ainda não atingiu toda a sua capacidade produtiva. Segundo a Jeep, 179 mil carros foram produzidos em Goiana em 2017, mas esse número pode chegar até a 250 mil/ano. E, até lá, a indústria pode continuar usando a energia de menor tensão que é fornecida pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). Selva reconheceu, no entanto, que a subestação vai dar mais segurança ao funcionamento. “A indústria tem muitos robôs e os robôs são sensíveis à variação de energia. Com qualquer variação, um equipamento de segurança desliga os robôs. Mas a energia que a subestação vai fornecer é mais segura e estável. Por isso, não haverá variação ou risco de os robôs desligarem”, explicou, dizendo que hoje a fábrica conta com uma potência de 69 KVA. Esse número, porém, vai chegar a 230 KVA com a subestação.

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