80 anos da libertação de Auschwitz: sobreviventes do Holocausto e líderes mundiais se reúnem
Em pouco mais de quatro anos e meio, a Alemanha nazista matou sistematicamente milhares de pessoas nos 40 campos que formavam o complexo de Auschwitz
Dezenas de líderes mundiais se juntaram a um grupo cada vez menor de sobreviventes de campos de extermínio nazistas nesta segunda-feira (27), na Polônia, para comemorar o 80º aniversário da libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho, onde mais de 1,1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram assassinadas.
Apesar da presença de reis, rainhas e outras lideranças globais, os organizadores deixaram claro o desejo de que a atenção se volte para os poucos que sobreviveram e que ainda estão vivos, acrescentando que este talvez seja o último “marco redondo” com um grupo substancial de sobreviventes.
— Eu me lembro que, há 20 anos, havia 1.500 pessoas em uma cerimônia como essa. Há dez anos, eram 300. Este ano, esperamos a presença de 55, talvez 60 pessoas. Elas estão muito idosas — disse à BBC o diretor do Museu de Auschwitz-Birkenau, Piotr Cywinski.
Em pouco mais de quatro anos e meio, a Alemanha nazista matou sistematicamente milhares de pessoas nos 40 campos que formavam o complexo de Auschwitz, tornando-o o local da maior execução em massa de humanos já registrada na História.
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Embora Auschwitz tenha sido o centro da campanha nazista para erradicar a população judaica da Europa, poloneses, povos romani (ciganos) e prisioneiros de guerra russos, entre muitos outros, também foram assassinados no campo.
A perseguição antissemita dos nazistas começou em 1933, quando o regime chegou ao poder e passou a retirar dos judeus todos os seus bens, liberdades e direitos legais. A repressão foi intensificada em 1939, quando os nazistas invadiram e ocuparam a Polônia, deportando judeus e criando áreas para separá-los do restante da população. Mas foi somente em 1941 que a campanha de extermínio teve início de fato.

Naquele ano, grupos de soldados alemães cruzaram as terras recém-conquistadas na Europa Oriental para massacrar civis. Ao final de 1941, já haviam matado 500 mil pessoas — e, até 1945, cerca de 2 milhões, sendo 1,3 milhão de judeus. Experimentando formas de matar em massa, os nazistas construíram a primeira câmara de gás e o crematório em Auschwitz em 1941, publicou a rede britânica BBC.
Em janeiro de 1942, líderes nazistas se reuniram na Conferência de Wannsee, em Berlim, a capital alemã, para coordenar a matança industrial — o que chamaram de “solução final da questão judaica” — de toda a população judaica europeia por meio de extermínio e trabalho forçado. No total, cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados pelos nazistas e seus cúmplices durante a Segunda Guerra Mundial.
Muro da morte
Além da ameaça das câmaras de gás e das punições físicas, incluindo chicotadas, os prisioneiros mantidos em Auschwitz I, o primeiro campo, também enfrentavam a possibilidade de execuções por fuzilamento. Várias centenas de pessoas, principalmente prisioneiros políticos poloneses e membros de organizações clandestinas, foram mortas com um único tiro na nuca no pátio murado ao lado do bloco 11.
A maioria das pessoas executadas nesse local, conhecido como o “muro da morte”, não foi incluída nos registros oficiais do campo, segundo o Museu de Auschwitz-Birkenau. Estima-se que quase mil prisioneiros detidos no bloco 11, assim como 4.500 chamados “prisioneiros da polícia”, tenham sido mortos no muro da morte. E é nesse muro que, na manhã desta segunda-feira, o presidente da Polônia, Andrzej Duda, discursou, e sobreviventes depositaram coroas de flores e velas.
— Nossa missão é ser guardião da memória. A Polônia conserva locais como Auschwitz para preservar a memória e mantê-la viva, para que as pessoas se lembrem. Para garantir que o mundo nunca mais permita que uma catástrofe humana tão dramática aconteça — disse o líder polonês. — É algo sem precedentes na história da humanidade. Que a memória de todos aqueles que sofreram e morreram viva.