Barco-dragão de mais de 100 metros quebra recorde mundial na China
Fabricada pelos moradores de Beian New Village, embarcação possui um total de 105 compartimentos e pode acomodar até 420 remadores
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Um barco-dragão medindo mais de 100 metros bateu o novo recorde mundial do Guinness na cidade de Yiyang, no centro da China, no último sábado. Ele foi oficialmente reconhecido como o barco-dragão mais longo do mundo.
“Este barco-dragão mede 100,987 metros de comprimento, superando o recorde atual e cumprindo com sucesso o desafio”, disse Xiong Wen, funcionário do Guinness World Record à Reuters.
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Você consegue imaginar um barco-dragão fazendo curvas agudas? Em Foshan, na província de Guangdong, em vez de simplesmente correr, as corridas exigem manobras suaves em canais estreitos em forma de S, C e L.
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Can you imagine a #dragonboat… pic.twitter.com/dYXUgjprRq — Consulado-Geral da China em São Paulo (@CGChinaSP) June 5, 2024
A embarcação, fabricada pelos moradores de Beian New Village, possui um total de 105 compartimentos e pode acomodar até 420 remadores. Além disso, o barco-dragão é feito de troncos de abeto chinês, cada um com um diâmetro que varia de 50 a 60 centímetros e um comprimento de aproximadamente 28 metros.
A construção envolveu oito etapas e levou mais de dois meses para ser concluída. O barco-dragão foi inaugurado no rio em 12 de junho de 2023 em uma cerimônia.
Festival do Barco-Dragão
O Festival do Barco-Dragão, também conhecido como a Festa de Duan Wu, é celebrado anualmente no quinto dia do quinto mês do Calendário Lunar, sendo um dos quatro principais festivais tradicionais chineses, a par do Ano Novo Chinês, do Festival Qingming e do Festival do Meio do Outono.
Existem várias versões sobre a origem do Festival do Barco-Dragão, e a mais popular é para comemorar Qu Yuan, um poeta do Reino de Chu durante o Período dos Estados Combatentes (476 a.C. - 221 a.C.). Qu Yuan era de uma família nobre. Com apenas 22 anos, já ocupava o cargo de ministro no Reino de Chu, e discutia frequentemente os assuntos políticos com o rei.
O jovem defendia uma política de “governança virtuosa”, que preconizava o uso prioritário de sábios talentosos, a aplicação rigorosa das leis e a exigência de integridade moral aos funcionários públicos. No entanto, o ambiente político da época era corrupto, e o rei, enganado por calúnias, exilou Qu Yuan para terras longínquas.
Incapaz de mudar a situação, Qu Yuan expressou a sua tristeza e preocupação com o reino e o povo através da poesia. Li Sao (Às do Encontro da Tristeza), a obra mais conhecida de Qu Yuan, narra a sua vida, aspirações e infortúnios, revelando um profundo sentimento patriótico. Em 278 a.C., ao ver desesperadamente o Reino Chu conquistado pelo Reino Qin, Qu Yuan atirou-se ao rio em tristeza e acabou por morrer.
Preocupado que corpo de Qu Yuan pudesse ser comido por peixes, o povo local foi em barcos à sua procura, mas não o encontrou. Por isso, lançou bolinhos de arroz à água para que os peixes os comessem e não tocassem no corpo do poeta. Com o passar do tempo, estas práticas tornaram-se as tradições do Festival do Barco-Dragão, em que se presta homenagem à integridade moral e ao sentimento patriótico de Qu Yuan, nomeadamente com a corrida destes barcos típicos e o consumo de Zongzi (bolinhos de arroz glutinoso embrulhados em folhas de bambu).
Outra versão sobre a origem do festival está relacionada com o dragão, um elemento essencial na cultura tradicional chinesa. Segundo a tradição, o festival é um dia dedicado à adoração e ao culto do dragão. Os barcos usados nas corridas são chamados barcos-dragão, e os Zongzi lançados nos rios são comidos pelo Jiaolong (dragão aquático).
O dragão é um símbolo do poder auspicioso e, para os antigos chineses, a veneração deste mítico animal tinha a função de afastar o mal e prevenir epidemias. Nos tempos modernos, a corrida de barcos-dragão passou a ser um esporte cada vez mais competitivo e fez parte das modalidades oficiais nos Jogos Asiáticos de 2010, em Guangzhou.