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OPINIÃO

Baba


Às vezes é preciso perder algumas linhas para explicar o emprego de certas palavras ou expressões. Na Bahia, baba é o que, em outras praças, é a pelada de futebol. Na Ásia ocidental e sul da Ásia, é um título honorífico e os babas, nesses locais, são tratados com respeito, gozam de deferência especial. São pessoas com mais idade e dão conselhos a quem os procura sobre os mais variados assuntos: casamento, adultério etc. Em algumas localidades, têm mais autoridade que o delegado ou o prefeito, porque, “têm a sabedoria de um deus”. 

“Paguei uma baba” é outra expressão que pode significar pagou uma pechincha, uma bagatela por um produto. Há outra baba, a do quiabo - substância viscosa do vegetal que, dizem, produz efeitos maravilhosos antes e durante o “rala-e-rola”.

A baba mais tradicional é a substância viscosa que sai da boca de bebês, de cachorros e de algumas pessoas de mais idade. No caso dos cães, está ligada a vários processos: lubrificação natural da cavidade bucal para auxiliar na remoção das bactérias; facilitar a passagem dos alimentos pelo esôfago; por estresse, em resposta ao medo etc. São campeões da baba: o São Bernardo, o dogue alemão, o boxer e o buldogue.

A “minha” baba é outra. É a que sai da boca daqueles lagartos enormes (chamados de dragões), que vivem em ilhas da Indonésia. Babam naturalmente como os cachorros. A principal característica desses feiosos é que as fêmeas podem fazer a partenogênese; a baba tem bactérias e a mordida em outro animal vai provocar a morte; uma morte lenta.

Já passei dos 50 e ainda não estou babando; minto, babo por outras coisas, mas o espaço não permite dizer por que nem por quem. Em contrapartida, tenho a forte impressão que alguém importou ilegalmente um dragão (não sei como) ou a baba dele para terras tupiniquins. Os efeitos já começam a ser observados. As pessoas contaminadas observam “as coisas” e não reagem, ficam quase que em estado letárgico. O preço do arroz aumenta, o povo apenas resmunga e continua comprando; as mensalidades dos planos de saúde aumentam, o povo arregala os olhos, mas fica impassível sob a alegação de não poder ficar sem ele; idem, para os medicamentos.

Seria leviano da minha parte dizer que o mal passa de pessoa para pessoa, através disso ou daquilo. Espero estar enganado, mas, numa única balada, onde os beijos se multiplicam em progressão geométrica, a contaminação pode ser geral. E vem a pergunta que não quer calar: há cura? Não sei. De qualquer forma, por precaução, posso sugerir certos cuidados que não podem ser aqui registrados porque o tempo acabou. Fica para a próxima, se, antes, não for atingido pela faca traiçoeira de um baba-ovo ou pela unhada de uma “dragoa”.

*Executivo do segmento de shopping centers

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