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PL DO ABORTO

Conheça os convidados da audiência antiaborto do Senado

Audiência realizada a pedido do senador Eduardo Girão (Novo-CE) reuniu nomes que entraram em evidência na pandemia no governo Bolsonaro

Hélio Angotti Neto já foi secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da SaúdeHélio Angotti Neto já foi secretário de ciência, tecnologia e insumos estratégicos do Ministério da Saúde - Foto: Reprodução

A sessão de debate em defesa do projeto que equipara o aborto após a 22ª semana ao crime de homicídio, realizada nesta segunda-feira no Senado, reuniu alguns nomes que ficaram em evidência durante a pandemia de Covid-19, no governo de Jair Bolsonaro, com discursos antivacina e favoráveis ao que ficou conhecido como “tratamento precoce”, sobre o uso de remédios sem eficácia comprovada contra a doença.

Alguns deles fizeram parte do “ministério paralelo”, apontado por membros da CPI da Covid como responsável por orientar o ex-presidente relacionados à pandemia.

É o caso da médica Annelise Meneguesso que participou de reuniões com Bolsonaro em 2021 e chegou a gravar vídeo para as redes sociais, no Palácio do Planalto, fazendo a sustentação do “tratamento precoce”.

Na audiência desta segunda-feira, ela iniciou sua fala citando passagens da Bíblia para sustentar sua posição a favor do PL 1904/2024 e chamou visões contrárias de “serviço do maligno” e “agenda demoníaca”. Meneguesso também já foi candidata a vice-prefeita de Campina Grande, na Paraíba em 2020.

Ex-integrantes do Governo Bolsonaro
Já o médico Hélio Angotti Neto foi secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde no governo passado e, no início de 2022, afirmou em uma nota técnica que vacinas contra a Covid-19 não têm efetividade nem segurança demonstradas, mas que a hidroxicloroquina tinha.

A afirmação contraria posição da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos especialistas.

O médico Raphael Câmara foi secretário de Atenção Primária à Saúde (Saps) durante o governo Bolsonaro e, na época, lançou pelo Ministério da Saúde uma cartilha que dizia que “todo aborto é crime” e que “não existe aborto legal” no Brasil, embora a legislação autorize a interrupção da gravidez em casos de risco de morte para a mulher, de gestação decorrente de estupro e de anencefalia fetal.

Câmara é também o relator da resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proibiu o procedimento de assistolia fetal, procedimento realizado na interrupção voluntária da gestação com mais de 22 semanas de forma legal. Durante seu discurso, ele fez críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre Moraes que suspendeu processos baseados nessa resolução.

Encenação sobre aborto
Também entre os participantes estava a professora Nyedja Cristina Gennari que fez uma encenação em que atuou como um feto sendo abortado no Senado.

— Não! Não acredito, essa injeção, essa agulha não! Quero continuar vivo! Não façam isso! — gritou a artista no plenário.

Em seu perfil nas redes sociais, ela se define como contadora de histórias e realiza apresentações para crianças e adultos, em shows realizados em casamentos, festas de aniversários, eventos corporativos e políticos. Em maio deste ano ela ganhou o título de cidadã honorária de Brasília.

A cuiabana também trabalha como mestre de cerimônias e faz oficinas de contação de história. Após a sessão, ela gravou um vídeo afirmando que sua apresentação tinha relação com a assistolia fetal, sem entrar no mérito do projeto em discussão na Câmara.

— Em nenhum momento minha apresentação estava associada a esse PL do aborto. Em nenhum momento minha história foi para agredir uma mulher — disse Nyedja na gravação.

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