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Melhora na aprovação de Lula redobra aposta em estratégia, mas Planalto calcula riscos do presidente

Avaliação de Lula variou positivamente pela primeira vez em 2024, percentual dos que consideram a gestão do petista ótima ou boa passou de 33% para 36%.

O presidente alcançou 46% reprovação em fevereiroO presidente alcançou 46% reprovação em fevereiro - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A tendência de melhora na avaliação apontada pela pesquisa Quaest desta quarta-feira deve redobrar a aposta do Palácio do Planalto na estratégia de fazer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorrer o país para anunciar entregas do governo e conceder entrevistas a veículos regionais.

Há, no entanto, um cálculo de risco de que a aprovação poderá oscilar nos próximos meses caso Lula derrape em falas públicas. Quanto mais o petista fala, maior a possibilidade de dar declarações que tenham repercussões negativas. Auxiliares do Palácio do Planalto identificaram que a aprovação de Lula é sensível às suas declarações.

O presidente alcançou 46% reprovação em fevereiro, segundo a Quaest, após comparar a guerra entre Israel e Hamas com o Holocausto.

A pesquisa também confirmou o que os levantamentos internos do governo já vinham apontando: dentro da parcela da população que tomou conhecimento das falas de Lula sobre a política de juros do Banco Central, a maioria concorda com as críticas do presidente sobre o tema.

O Planalto acredita ainda que parte da boa avaliação do petista se deve aos resultados das ações do governo que começam a fazer efeito agora. Há uma percepção de que políticas públicas anunciadas 2023 e no começo de 2024, como Bolsa Família, Pé de Meia, Minha Casa, Minha Vida e Escola em Tempo Integral passaram por uma fase de maturação e começam a dar resultados em camadas da população.

Lula tenta fazer ajustes na atuação da sua equipe desde o começo do mandato com o objetivo de aumentar sua popularidade. De lá para cá, houve determinação por mais viagens dos ministros e que todos tinham obrigação de divulgar ações do governo, independentemente da área, em seus roteiros pelo país.

O percentual dos que consideram a gestão do petista ótima ou boa passou de 33% para 36% em relação a maio, enquanto as percepções negativas sobre o governo recuaram de 33% para 30% no período. O grupo que classifica o governo como “regular” foi de 31% para 30%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Auxiliares do presidente comemoraram especialmente a elevação de 62% para 69% da aprovação de Lula entre quem ganha até dois salários mínimos. Esse estrato da população é considerado a principal base do governo. O Planalto avalia que parte desse grupo que agora aprova Lula não votou no petista em 2022, ou seja, passou a avalizar sua gestão durante o seu governo.

Os jovens, por outro lado, continuam sendo um ponto de preocupação do governo. O Planalto tenta intensificar as estratégias de comunicação para esse segmento e focar em programas como o Pé de Meia, que concede uma poupança para os estudantes do Ensino Médio, considerado uma das ações mais populares da gestão. Apesar dos esforços, a aprovação de Lula segue sem subir entre esse público.

Como mostrou O GLOBO, o Planalto prepara um anúncio que irá reunir todas as iniciativas dos ministérios voltadas a este público, com ações de publicidade.

A avaliação interna, no entanto, é que embora o governo reúna mais de 200 iniciativas voltadas a faixa etária de 15 a 29 anos, que corresponde a 23% da população, e que tenha a vitrine do Pé de Meia, ainda não há uma iniciativa que tenha o impacto universalizado como teve o lançamento do ProUni nos primeiros mandatos de Lula. O Pé de Meia, por exemplo, é voltado a estudantes de baixa renda que integram o CadÚnico.

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