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Saúde

Carne vermelha aumenta o risco de demência e declínio cognitivo, sugere estudo de Harvard

As evidências foram publicadas na revista científica Neurology

Carne vermelha - Envelhecimento cognitivo se mostrou acelerado em aproximadamente 1,6 anos por porção média diáriaCarne vermelha - Envelhecimento cognitivo se mostrou acelerado em aproximadamente 1,6 anos por porção média diária - Foto: Freepik

A carne vermelha processada, como alguns bifes bovinos e a linguiça suína, costuma marcar presença na maior parte da alimentação dos brasileiros.

Contudo, o consumo em grandes quantidades deste tipo de proteína aumenta o risco de demência e declínio cognitivo, como descobriu um novo estudo da Universidade de Harvard em parceria com outras instituições.

As evidências, que se basearam nos dados de mais de 130 mil pessoas, foram publicadas na revista científica Neurology.

"As diretrizes alimentares tendem a se concentrar na redução dos riscos de doenças crônicas, como doenças cardíacas e diabetes, enquanto a saúde cognitiva é discutida com menos frequência, apesar de estar ligada a essas doenças", afirma um dos autores, Daniel Wang, do Brigham and Women's Hospital, em comunicado.

Uma porção típica de carne vermelha é aproximadamente o tamanho de uma barra de sabão.

Aqueles que comem uma média diária de um quarto ou mais de uma porção de carnes vermelhas processadas (aproximadamente duas fatias de bacon, uma fatia e meia de mortadela ou um cachorro-quente), em comparação com aqueles que consomem uma quantidade mínima (menos de um décimo de uma porção por dia) tiveram um risco 13% maior de desenvolver demência, ajustando-se a vários fatores clínicos, demográficos e de estilo de vida, como status socioeconômico e histórico familiar de demência.

Do total analisado, com uma idade média de 49 anos de base, 11.173 foram diagnosticados com demência até 43 anos depois. O envelhecimento cognitivo se mostrou acelerado em aproximadamente 1,6 anos por porção média diária.

Além disso, um risco maior de declínio cognitivo subjetivo (SCD) autorrelatado foi associado ao consumo de carnes processadas ou não processadas (como carne bovina, suína e hambúrguer). Foi observado um aumento de 14% no risco de SCD para quem consumia um quarto ou mais porções de carne processada diariamente em comparação com o grupo de consumo mínimo, e em 16% para aqueles que comiam uma ou mais porções diárias de carne não processada em comparação com aqueles que comiam menos da metade de uma porção.

De acordo com os pesquisadores, uma possível resposta para a ligação entre o consumo de carne vermelha e o risco de declínio cognitivo pode estar no N-óxido de trimetilamina (TMAO). Ele é um produto da decomposição da carne mediada por bactérias, pode aumentar a disfunção cognitiva devido aos seus efeitos na agregação de amiloide e tau, proteínas envolvidas na doença de Alzheimer. Contudo, ainda não foi comprovado.

Outra possibilidade é que o teor de gordura saturada e sal da carne vermelha também possa prejudicar a saúde das células cerebrais.

A equipe destaca que a substituição de carne vermelha processada por outras fontes de proteína como nozes, legumes ou peixes pode diminuir o risco de demência em aproximadamente 20%.

"Estudos de coorte grandes e de longo prazo são essenciais para investigar condições como demência, que podem se desenvolver ao longo de décadas. Continuamos a juntar as peças dessa história para entender os mecanismos que causam demência e declínio cognitivo", conclui Wang.

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