MUNDO

EUA de luto após massacre racista

Jovem branco matou a tiros 10 pessoas em um supermercado

Vigília nos Estados UnidosVigília nos Estados Unidos - Foto: Usman Khan / AFP

De luto, moradores de Buffalo, no estado americano de Nova York, realizaram vigílias neste domingo (15) depois que um jovem branco matou a tiros 10 pessoas em um supermercado em um ataque "absolutamente racista".

O comissário de polícia de Buffalo, Joseph Gramaglia, disse a repórteres que o suspeito de 18 anos fez um "reconhecimento" da área, predominantemente negra, ao redor da loja Tops Friendly Market e que ele dirigiu até lá de sua cidade natal, Conklin, a mais de 320 quilômetros de distância.

O agressor, que usava um colete à prova de balas e empunhava um fuzil de assalto AR-15, matou 10 pessoas e feriu três — quase todas negras — e ameaçou se matar. A polícia o dissuadiu e o deteve.

O suspeito, identificado como Payton Gendron, foi indiciado por homicídio em primeiro grau na noite de sábado e ficou preso sem possibilidade de fiança, afirmou o promotor do condado de Erie, onde está localizada a cidade. Gendron se declarou inocente.

"As evidências descobertas até agora não deixam dúvidas de que este é um crime de ódio absolutamente racista", declarou Gramaglia neste domingo. Ele acrescentou que o atirador também tinha um rifle e uma espingarda em seu carro.

O prefeito de Buffalo, Byron Brown, foi taxativo: "Esse indivíduo veio aqui com o propósito expresso de tirar o maior número de vidas negras possível."

Gramaglia disse que o agressor fez "ameaças generalizadas" em sua escola no ano passado, então, a polícia estadual o encaminhou a um hospital para uma avaliação de saúde mental que durou cerca de um dia e meio. Ele foi depois liberado.

"Enfrentar o ódio"

A Casa Branca anunciou que o presidente Joe Biden viajará para Buffalo nesta terça-feira. Mais cedo no domingo, em um discurso, Biden condenou o extremismo racista e pediu um trabalho conjunto “para enfrentar o ódio que continua sendo uma mancha na alma dos Estados Unidos".

Poucas horas depois, na Califórnia, um ataque a tiros em uma igreja a sudeste de Los Angeles deixou uma pessoa morta e quatro outras "gravemente feridas", segundo o departamento do xerife do condado de Orange.

No início do domingo, moradores comovidos se reuniram em frente ao supermercado, enquanto a governadora de Nova York, Kathy Hochul, e a procuradora-geral do estado, Letitia James, falavam em uma igreja batista na cidade.

Furiosos e aflitos, os oradores denunciaram a última onda de violência racista e a fácil disponibilidade de poderosas armas; algo que se tornou comum em todos os Estados Unidos.

Hochul descreveu o crime como uma "execução de estilo militar". Ele disse que o atirador estava carregando um AR-15 e que mensagens racistas estão "se espalhando como fogo", especialmente na internet.

Este massacre evocou outros ataques racistas, como o perpetrado por um jovem branco em uma igreja da Carolina do Sul em 2015 que matou 9 fiéis, e o de um homem branco no Texas que tirou 23 vidas, a maioria latinas, no Texas em 2019.

A procuradora James, que é negra, descreveu o massacre de sábado como "puro e simples terrorismo doméstico".

James deu alguns detalhes das vítimas, entre elas clientes e funcionários da loja. Mencionou uma idosa que plantava árvores e uma mulher que foi fazer compras depois de visitar seu marido em uma casa de repouso.

"Extremismo violento"

O atirador disparou contra quatro pessoas no estacionamento do supermercado antes de entrar. Três delas morreram.

Entre os mortos dentro da loja estava um policial aposentado que trabalhava como segurança e estava armado. Ele chegou a disparar vários tiros contra o agressor antes de ser baleado, disseram porta-vozes da polícia.

O ato de ontem está sendo investigado como "crime de ódio" e um "caso de extremismo violento com motivos raciais", declarou aos jornalistas Stephen Belongia, agente especial responsável pelo escritório de campo do FBI em Buffalo.

Além das acusações estaduais, o massacre também está sendo investigado como um crime de ódio federal "perpetrado por um extremista violento com motivação racial", disse Belongia.

A imprensa vinculou o agressor a um manifesto de 190 páginas sobre a supremacia branca, que descreve maneiras de atacar um bairro habitado majoritariamente por pessoas negras.

Uma arma semiautomática usada no tiroteio de sábado também tinha um epíteto racial escrito em seu cano, de acordo com o jornal local The Buffalo News.

Se o agressor for condenado, poderá enfrentar uma sentença máxima de prisão perpétua sem liberdade condicional.

O senador Charles Schumer, de Nova York, classificou o racismo como "o veneno dos Estados Unidos" e disse: "Devemos enfrentar o flagelo da violência armada e banir finalmente as armas de guerra de nossas ruas."

Porém, alguns esforços anteriores do Congresso para endurecer as leis falharam, mesmo após alguns dos tiroteios mais trágicos.

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