Combater o Olho Seco é um desafio constante
Você sabia que mais de um a cada 10 brasileiros sofre da Síndrome do Olho Seco? Essa é uma doença ocular relacionada à diminuição ou alteração da produção da qualidade da lágrima, ressecando a superfície ocular, a córnea e a conjuntiva. No Brasil,estima-se que 13% a 24% da população sofra com o olho seco, totalizando aproximadamente 18 milhões de pessoas.
Os dados são da Tear Film Ocular Surface Society (TFOS), maior organização de educação e pesquisa sobre o filme lacrimal do mundo. No Brasil, o mês de julho é dedicado ao combate à doença e ganhou a cor turquesa, que representa a cor da água limpa, da lágrima.
A lágrima tem a função de lubrificar os nossos olhos, promovendo acima de tudo a sua proteção. A Síndrome do Olho Seco acontece quando existe baixa produção de lágrima ou a produção de uma lágrima pouco eficiente, que não protege de forma adequada a superfície do olho e evapora com mais velocidade. Essas manifestações podem interferir nas atividades diárias, dificultando a leitura, o uso de computadores e até a condução de veículos.
Quando o olho fica ressecado, a superfície do olho começa a inflamar e sintomas como irritação, sensação de corpo estranho, ardência, vermelhidão e lacrimejamento começam a aparecer. Quando piscamos os olhos, a lágrima se espalha pela superfície formando uma rede de proteção. Com o passar do tempo essa lágrima vai evaporando, até a próxima piscada reiniciar esse ciclo.
Existem fatores de risco que devem ser observados, pois podem contribuir para o agravamento ou aparecimento da doença em pessoas de diversas faixas etárias. Porém, é certo que cerca de 70% dos pacientes idosos apresentarão sintomas da síndrome. Podem citar alguns gatilhos para desencadear o Olho Seco, como a blefarite, que é a inflamação da margem da pálpebra; cirurgias oculares como catarata e cirurgia refrativa; uso de lentes de contato; doenças de tireoide, Síndrome de Sjögren, lúpus, artrite reumatoide, diabetes e até alterações hormonais.
O uso de equipamentos como computador e celular também é um fator de risco, pois ao utilizar esses aparelhos, diminuímos a quantidade de vezes que piscamos, dificultando a lubrificação do olho e a produção da lágrima. Quando estamos muito concentrados em alguma atividade, o que acontece frequentemente com o uso das telas, demoramos mais para piscar e a superfície do olho começa a sofrer com o ressecamento causado pela evaporação da lágrima. Os pais devem redobrar o alerta, pois além de causar ressecamento, o uso excessivo de telas favorece o aumento da miopia nas crianças e adolescentes.
O tratamento é variado, de acordo com cada caso. Para os quadros mais leves, apenas repor as lágrimas com colírios lubrificantes e fazer a higiene correta dos cílios costumam ser eficientes para melhorar os sintomas. Mas quando o desconforto persiste, mesmo com essas medidas pode ser necessário utilizar colírios para desinflamar a superfície do olho e, nesses casos, é muito importante o acompanhamento com o especialista.
Mudanças no estilo de vida também desempenham um papel crucial. Manter-se hidratado, piscar regularmente ao usar computadores e dispositivos móveis, e evitar ambientes com ar muito seco são medidas simples que podem ajudar a reduzir os sintomas. Caso o paciente não mantenha o controle correto da doença e não realize o tratamento seguindo as orientações do seu oftalmologista, a doença pode avançar para estágios mais graves, nos quais a qualidade de vida dos pacientes pode diminuir bastante, atrapalhando, inclusive, atividades diárias.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para gerenciar os sintomas e prevenir complicações. A melhor forma de prevenir é identificar os gatilhos que aumentam os sintomas e evitá-los, além de manter o tratamento basal com higiene dos cílios e colírios lubrificantes constantemente e, assim, deixar a superfície do olho o mais saudável possível.
*Oftalmologista do HOPE
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