Por um Carnaval sem ressaca

Não precisa jurar que nunca mais vai beber para deixar de sentir os efeitos de uma noite de exageros. Com algumas dicas, você evita o mal-estar que ronda os dias de folia

Sai, ressacaSai, ressaca - Foto: Roger

Não precisa transformar o Carnaval no filme “Se beber, não case”. A noite de festa, amigos e álcool pode ter um final bem menos problemático do que a amnésia acompanhada de incômodos pelo corpo. É hora de se cuidar, pois a ressaca não perdoa. Ela bate em quem exagerar na dose por provocar tamanha intoxicação no fígado, que corta um dobrado para metabolizar tamanha agressão.

Um dia de bebedeira até parece pouco. Mas, segundo o nutrólogo Jêmede Valença, é suficiente para causar estragos, dependendo das características metabólicas de cada um. “Do quanto o fígado já está comprometido e de como é o estilo de vida do indivíduo. Mas, como referência para um homem jovem e saudável, existe a estimativa de que 14 doses de vinho por semana são suficientes. Fazendo a devida proporção do quando ele vai ingerir num único momento, isso começa a variar”, resume. Razão para pessoas que mal bebem, logo sentirem os efeitos. Enquanto outros, que nem lembram a quantidade ingerida, não sofrem qualquer mal-estar. O ponto de partida é o estômago, que recebe parte da água e mantém o fluxo para o intestino. O álcool segue para o fígado, que faz sua metabolização para ser repassada para os rins, que se encarrega da filtragem.

“A mulher, por exemplo, tem capacidade metabólica reduzida em relação ao homem, porque elas têm menos quantidade de água no corpo e menos musculatura - de onde saem enzimas que também metabolizam o álcool. Razão para elas sofrerem mais”, garante o especialista. Independentemente do gênero, os sintomas mais comuns depois do estágio de euforia e sensação de bem-estar são os mesmos: dor de cabeça, enjoo, tontura e fraqueza, que podem durar até 12 horas, a depender da estrutura corporal. Culpa do trabalho contínuo do organismo para eliminar as toxinas, resultando numa desorganização generalizada. E, sim, o fígado é o que mais sofre. Ainda de acordo com o nutrólogo, ele chega ao estágio de inflamação que, em alguns casos, pode evoluir para uma questão hepática - mesmo depois de uma ‘inofensiva’ farra de Carnaval.

Cuidado com os exageros

Cuidado com os exageros - Crédito: Mascaro



De copo cheio - Escolher o que vai beber também surte efeito direto na ressaca. Segundo a beer sommelier Chiara Rêgo Barros, a queridinha do Carnaval tem um dos teores alcoólicos mais baixos e, por isso mesmo, exige atenção redobrada. “Nas opções mais comuns, a graduação alcoólica da cerveja varia entre 4,2% e 8,5%. O que faz as pessoas aguentarem mais, principalmente no calor”, diz ela ao comparar os índices etílicos. No ranking, o uísque lidera com 45%, enquanto a vodca tem 40% e o vinho até 14% em números aproximados. “Por isso, muita gente diz não ter ressaca ao beber destilados, porque seus efeitos aparecem mais rápidos e a pessoa entende que já está chegando a hora de parar”, completa.

Ainda segundo especialistas, não há segredos para evitar o incômodo do dia seguinte. O bebedor até lembra algumas atitudes, mas peca em outras que poderiam garantir a desintoxicação completa do corpo. Se você têm esquecido de algumas regras, eis a receita para blindar o corpo neste Carnaval. Adeus, quarta-feira ingrata!

Esteja preparado:

Alimente-se corretamente
Comer bem não significa ir para a folia de barriga cheia. Um cardápio de boa qualidade ajudará na resistência do corpo, segundo o nutricionista Marinaldo Lustosa. “É indicado comer carboidratos integrais, que são ricos em fibra e capazes de manter o organismo saciado por mais tempo. Além disso, vale escolher alimentos que reponham a vitamina C, que é um ótimo antioxidante, e o potássio, que ajuda na proteção muscular”, aponta. Sendo assim, antes de sair de casa, vale apostar em frutas como melão, abacaxi e melancia, além de um bom copo de água de coco, abundante em potássio e repleto de minerais. Tubérculos e raízes também ajudam no fornecimento de energia, como no inhame, na macaxeira, na bata-doce e na batata inglesa.


Não há receitas milagrosas

Os profissionais de saúde são unânimes ao afirmar que a preparação do corpo é constante. Ter uma rotina de exercícios, dormir corretamente e sair com o estômago devidamente cuidado ajudam o corpo a metabolizar melhor certas extravagâncias.

Não piore a situação:

Intercale com água
Essa é uma dica que todo bebedor sabe, mas nem sempre se lembra durante a festa. A orientação geral é de um copo de água para cada latinha de cerveja ou dose de vodca. O objetivo é evitar a desidratação e manter as funções cerebrais na normalidade.

Beba moderadamente
É preciso entender os sinais do corpo, mesmo em meio a euforia. Tem gente que excede a quantidade de álcool, sem estar com vontade de beber tanto. Tudo pela festa. Mas é a noção de limite, que vale logo nos primeiros sinais de cansaço, enjoo e irritabilidade.

Evite as misturas
O fígado processa todos os tipos de álcool da mesma forma, seja ele na cerveja, no vinho ou na cachaça. O alerta para as misturas vai para a quantidade de teor alcoólico ingerido, que pode duplicar se a pessoa unir uma bebida com outra, acelerando os efeitos da desidratação. Para a beer sommelier Chiara Rêgo Barros, quanto mais doce a preparação, mais o álcool estará mascarado a ponto de a pessoa perder a noção do excesso.


Mas se a ressaca bater:

Sucos podem ajudar
Os sucos detox reinam nesta época e, para a nutricionista Uyara Lima, são ótimas opções. “São feitos com vegetais verdes escuros e alguma fruta. A lista inclui couve, que é rica em magnésio, melão, com seu poder diurético, e o pepino, que é capaz de eliminar toxinas”, resume. Quanto mais água o ingrediente tiver, melhor, pois ajudará a diminuir a retenção de líquidos.

Tomar uma aspirina
Ela age como um paliativo e pode até diminuir o desconforto de náusea e tontura. “Mas, cuidado, tem gente que apresenta reação alérgica a essa medicação. Quem tem úlcera gástrica, por exemplo, pode até piorar, além de sobrecarregar os rins e conseguir efeito sedativo e de sonolência”, alerta Lima.

Descansar o corpo
Um dos remédios mais naturais é dar tempo ao tempo. Deixar o corpo se regenerar, enquanto dorme pelo menos oito horas seguidas.

É hora de banho gelado
Esse é mais um paliativo para amenizar os efeitos da moleza, já que um bom banho gelado ativa o sistema nervoso central (SNC). E, vamos combinar, acorda até defunto!

Cuidado com os remédios
Eles ajudam a aliviar dores, mas devem ser consumidos com moderação.

O que é mito:

Café preto não é tão bom assim

Parece o estimulante perfeito. “Mas eu não indicaria por ser um irritante gástrico, que até pode provocar azia em algumas pessoas”, argumenta Lustosa.

Ressaca se cura com outra?
Esse é o rei dos mitos. Uma nova rodada de álcool pela manhã só aumentaria o trabalho do corpo no momento em que ele pede para desacelerar.

Refrigerantes não ajudam
Prático, não?. “Mas esse é um produto com alto índice glicêmico, que pode dar um efeito de recuperação imediata, que não se sustenta ao longo do dia, já que é uma bebida industrial feita de açúcar simples, sem nutriente agregado”, pondera Lustosa.

Leite e azeite antes de beber não fazem efeito
Segundo nutricionistas, tomar uma colher de azeite antes de beber não previne a ressaca. Mesmo que a intenção seja revestir o estômago com uma gordura saudável, tamanho benefício não é comprovado cientificamente. O mesmo vale para o leite.

Não precisa de água com açúcar
Segundo o nutrólogo Jêmede Valença, a simples ressaca não indica que a pessoa esteja com baixo nível de açúcar no sangue. “Pelo contrário, porque a bebida já é calórica. O açúcar só terá impacto, se o idivíduo estiver num alto grau de ressaca, após longas horas sem se alimentar e beber, a ponto de entrar na fase da hipoglicemia. Neste caso, a intoxicação é crônica, ainda com sintomas de tontura e sudorese excessiva”.

 

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