CINEMA

Hollywood repensa o uso de armas de fogo após a tragédia de "Rust"

Julgamento do astro de Hollywood, Alec Badwin, por homicídio culposo após disparo em set de filme começa nesta terça-feira (9)

Hollywood: o armeiro Dutch Merrick (à direita) demonstra como usar uma arma com segurança enquanto um aluno dispara munição festiva durante seu workshop de segurança em Glendale, na CalifórniaHollywood: o armeiro Dutch Merrick (à direita) demonstra como usar uma arma com segurança enquanto um aluno dispara munição festiva durante seu workshop de segurança em Glendale, na Califórnia - Foto: Valerie Macon/AFP

Após tragédia que abalou Hollywood, o armeiro Dutch Merrick  iniciou um curso sobre o uso seguro de armas de fogo no cinema. Seus alunos são, em sua maioria, profissionais da indústria que ficaram marcados pelo incidente que levou Baldwin à justiça esta semana para responder por homicídio culposo.

Em um estúdio perto de Los Angeles, Merrick pratica com um grupo de profissionais de cinema uma cena em que um ator aponta uma arma para a equipe de produção.

“Isso é exatamente o que aconteceu em ‘Rust’”, conta Merrick, que incorporou o trágico tiroteio do filme de faroeste de Alec Baldwin como exemplo em sala de aula. “Quem vai levantar a mão e falar se vir algo assim?”, pergunta ele aos seus alunos.

Baldwin empunhava um revólver enquanto ensaiava uma cena no dia 21 de outubro de 2021, em um set no Novo México, quando uma bala foi disparada, matando a diretora de fotografia Halyna Hutchins e ferindo o diretor, Joel Souza.

— Foi um sinal de alerta para mim — disse a diretora de produção Virginia Brazier, de 37 anos. — Quero saber quais perguntas devo fazer para ter certeza de que estou escolhendo as pessoas certas para garantir a segurança no set

Merrick, 55 anos, explica o caso em sua aula. Ele afirma que o baixo orçamento de produção levou a “uma série de erros” que causaram o que chama de “acidente industrial”.

O profissional também fornece ferramentas para reconhecer balas de festim e instrui a seguir meticulosamente as "regras de ouro" da indústria para filmar com armas: nunca aponte para uma pessoa, não coloque o dedo no gatilho a menos que esteja pronto para atirar e sempre manuseie a arma como se estivesse carregada.

Ryan Taylor, outro aluno do curso que trabalha como assistente de direção em Hollywood, diz que desde a morte de Hutchins, “a maioria das equipes está um pouco mais nervosa”.

Após o trágico incidente, algumas vozes pediram a proibição total do uso de armas de fogo nas filmagens de cinema e televisão. Mas Hollywood respondeu fortalecendo, pela primeira vez em duas décadas, os protocolos que regulam o manuseio de armas de fogo nos sets.

Uma das mudanças foi estipular que apenas armeiros podem entregar armas aos atores. O ponto é simbólico ao analisar o caso "Rust", onde a promotoria afirma que o diretor assistente David Halls foi quem deu o Colt .45 a Baldwin.

A Califórnia, berço de Hollywood, também impôs a obrigatoriedade da contratação de um consultor de segurança para produções que se beneficiem de incentivos fiscais no estado a partir de 2025.

Porém, após a tragédia, algumas produções como as séries “Walker” e “The Rookie”, onde os tiros são parte essencial da trama, decidiram substituir as armas de fogo por alternativas de ar comprimido ou borracha. A Seven Bucks Productions, do astro Dwayne "The Rock" Johnson, adotou efeitos especiais para simular tiros em suas produções, descartando assim as armas de fogo definitivamente.

— Houve uma hipercorreção severa que não era necessária da forma como ocorreu — disse Merrick, que afirma que após a tragédia vários fornecedores da indústria cinematográfica confirmaram uma diminuição na procura. — Sabemos que [as armas de fogo] são seguras e consistentes. E proporcionam aos atores e ao público uma ação autêntica.

Segundo ele, alternativas como o ar comprimido (airsoft) “criam uma falsa sensação de segurança”, pois "carregar acidentalmente (tal arma) pode, teoricamente, matar alguém."

O julgamento de Baldwin, 66 anos, também deixa os atores em suspense.

— Se ele for considerado culpado, isso terá um efeito especial sobre os artistas — diz a atriz Leilani Barrett, que também participa do curso. — Quando atuo, penso onde estou, memorizo minhas falas, interpreto meu personagem, sigo instruções. A última coisa que quero fazer é me preocupar com os acessórios que vou usar.

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