É tempo de abacaxi na feira e na mesa

A fruta não passa despercebida na cozinha. Menos ainda nesta época do ano, quando alcança o auge da safra, chegando ao mercado com o máximo dos seus nutrientes

Fatias são consumidas in naturaFatias são consumidas in natura - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Descascar um abacaxi não precisa denotar problema. Menos ainda quando a fruta atinge o auge do seu amadurecimento no mês de janeiro e fevereiro. Época em que a chamada majestade brasileira, literalmente verde e amarela, oferece melhor concentração de nutrientes e outros proveitos no consumo, que começam nesse período de colheita e terminam no deleite culinário.

A expectativa de safra em Pernambuco dá sinais de que o dito popular tem sua parcela de injustiça. Com uma previsão para este ano de 18.745 toneladas de produção da fruta, a região da Zona da Mata Sul deve compreender a área onde a colheita será mais intensa. “Hoje, a região é a maior produtora do alimento. Cerca de 50% dos seus municípios produz o abacaxi em uma área média de 700 hectares plantados”, informou o gerente regional do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em Palmares, Lauro Teles.

As cidades onde se concentram as maiores produções do Estado são, respectivamente: Gravatá, Pombos, Riacho das Almas, Palmares e Belo Jardim. Para 2018, a estimativa é de se plantar a fruta em 1.150 hectares, 250 a mais que o ano passado. “Em 2017, o número da produção do alimento nos meses de safra foi cerca de 14 mil toneladas”, disse Teles, ao complementar que a produtividade se repetirá este ano: 16,3 toneladas por hectares.

No Centro de Abastecimento e Logística do Estado de Pernambuco (CEASA-PE) é possível comprar a unidade por R$ 2, sendo um dos preços mais baixos do Brasil, perdendo apenas para a Paraíba, onde a fruta pode sair por apenas R$ 1,24/unidade.
É preço que não desvaloriza a mercadoria. Menos ainda por ser um produto nacional, entre as mais de 300 frutas genuinamente brasileiras, segundo levantamento do livro “Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas”, do botânico Harri Lorenzi, publicado pela editora Plantarum. A obra faz a correta separação de espécies nativas e exóticas implantadas por aqui nos tempos da colonização. Que o diga a banana, originada do sudeste asiático, a laranja, que veio da Ásia, a melancia, da África, e tantas outras pedidas comuns na mesa de hoje com certidão de nascimento em outros países.

É tempo de abacaxi

É tempo de abacaxi - Crédito: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Emagrecimento é mito

Embora seja fácil de encontrar o ano inteiro, o abacaxi concentra neste primeiro mês do ano seus melhores índices nutricionais. Mas não ache que isso é sinônimo de emagrecimento saudável, como muita gente insiste em acreditar há tempos. Segundo a química industrial especialista em nutrição, Ana Cláudia Correia, do SPA Oasis, essa é uma fruta de alto índice glicêmico, cujo carboidrato é digerido e transformado em açúcar no sangue mais rapidamente.

“Muitas pessoas finalizam a refeição com uma bela fatia polvilhada de gengibre, na ideia de se manter na dieta. Mas, apesar de rica em bons nutrientes, ela deve ser evitada por quem está em processo de emagrecimento. É que o alto índice glicêmico predispõe a elevação da insulina e de processos inflamatórios”, garante a especialista. O mito tem como base a presença da enzima bromelina, que se acreditava ser capaz de “queimar” gordura. Mas nada foi comprovado até então.

Já para a nutricionista Lafaelle Oliveira, o consumo voltado para a perda peso deve ser moderado ou acompanhado de algum item que ajude a diminuir o índice glicêmico. “A quantidade varia por pessoa. No entanto, por se tratar de uma alimento natural e rico em diversos sentidos, como fonte de vitamina c e betacaroteno, é interessante mantê-lo dentro de uma dieta equilibrada”, reforça. A dica, por exemplo, é preparar um sobert feito com iogurte natural desnatado.

Fique atento:

- Na hora de escolher, observe a firmeza do abacaxi; que ele tenha a casca consistente e livre de rachaduras

- Note também suas folhas, haja vista que a fruta pode ser esverdeada ou dourada, e a folhagem precisa estar verde e com aparência saudável

- Para quem se interessa em fazer sucos, a fruta tem melhor rendimento quando mais pesada

- O ideal é consumir assim que descascada. Uma vez sem casca, ela entra em contato com o ar, causando oxidação das vitaminas presentes

Um reinado na cozinha

O toque refrescante e suavemente ácido reforçam as características tropicais da fruta. É leveza que entra na cozinha por meio de fatias consumidas in natura ou em receitas que ressaltam o sabor do abacaxi. Como num bolo coberto por caramelo e várias rodelas amarelinhas por cima. Um clássico já com o posto de campeão de vendas na recém-inaugurada Sabores da Vovó, em Setúbal, Zona Sul do Recife.


“Tem gosto de infância e dos tempos em que minha avó preparava o bolo para acompanhar com café aos domingos”, diz a proprietária da doceria, Fabiana Amorim, que replica a pedida diariamente para encomenda ou pronta-entrega em vários tamanhos. Ela lembra que a receita tradicional capricha na manteiga e não permite a nomenclatura de torta, por não ser uma massa de pão de ló recheada e decorada por fora. Fim da confusão.

Referência atemporal tão marcante quanto uma travessa gelada coberta pelo creme delícia de abacaxi. Ou mesmo na versão de um drinque caribenho, criado em 1950, e mundialmente conhecido por piña colada. O suco com algumas folhinhas de hortelã também tem espaço cativo. Sem falar nas fatias que vão à grelha do churrasco com jeito de guarnição, mas com o poder de facilitar o processo digestivo.

Para o chef Claudemir Barros, é fruta com contexto. “Impossível não lembrar a cozinha clássica francesa que, por décadas, espalhou receitas do abacaxi com licor, merengue ou polvilhado com açúcar. Muitas delas apresentadas no livro do chef Paul Bocuse”, reforça.

Atento à força dos ingredientes, Claudemir lembra seu uso como amaciante natural, “capaz de amolecer carnes mais consistentes, como o lombo, além da carne de sol banhada no leite para também amenizar a quantidade de sal”, explica. São facilidades que, ainda segundo o chef, mesmo passando despercebidas para muita gente, reforçam o título de fruta coroada.

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